TREINAMENTO PARA ADOLESCENTES
21/07

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No Pain, No GainComo todos sabem, o No Pain, No Gain é uma coluna que se propõe a falar da importância e da necessidade de se controlar as cargas dos exercícios e os fatores que envolvem os resultados esperados. Porém, nas duas próximas semanas, abriremos uma exceção para falar de uma parte da população muito interessada nas alterações da composição corporal: os adolescentes.

Para começar, explicaremos os fatores que precisam ser avaliados antes de se indicar uma atividade física para esta faixa etária.

A participação de jovens em atividades físicas orientadas - como musculação, natação e aulas de ginástica - tem sido muito discutida na comunidade científica. Alguns parâmetros do desenvolvimento psicomotor são importantes para se determinar a intensidade e o volume do treinamento, assim como a modalidade de exercício que será indicada para o adolescente.

Vamos a eles:

Sabendo que o crescimento estatutário (altura) tem características individuais, devemos primeiro avaliar o que chamamos de idade óssea, o que nada mais é que um exame de raio-x feito no punho, ou na cabeça, para verificar se ainda existem na epífise óssea cartilagem e espaço para o crescimento longitudinal dos ossos.

Podemos ter três diferentes situações de resultado: a idade óssea estar avançada em relação à cronológica - um adolescente de 14 anos com idade óssea de 15, por exemplo – ambas as idades estarem iguais ou a idade óssea estar atrasada.

Também devemos levar em conta alguns hormônios que determinam o grau de desenvolvimento fisiológico, como o FSH e o HGH, que podem estar alterados em relação à idade cronológica. Por isso é importante fazer uma avaliação com um endocrinologista especializado em crescimento e desenvolvimento para checar qual é a situação do adolescente.

Outro fator importante que devemos nos atentar é o que chamamos de maturação sexual secundária, que nada mais é do que a expressão fisiológica esperada para determinado momento do desenvolvimento sexual. Essa maturação é medida pela tabela Tanner, que demonstra por meio de cinco estágios o ciclo do desenvolvimento de meninos e meninas.

A somatória e observação constantes dessas três avaliações compõem a base de todas as informações necessárias para que o educador físico faça uma prescrição de treinamento segura e que traga grandes benefícios a essa faixa etária.

A importância da avaliação

Temos uma aluna que, quando estava com 15 anos de idade, fazia musculação e natação com o objetivo de aumentar a sua estatura. Ela tinha 1,51 metro e não se sentia bem por se achar muito baixa.

Para ajudá-la, elaboramos um programa que aumentasse a produção de hormônios de crescimento, o HGH. Durante três meses medimos a sua estatura a cada 15 dias para checar os resultados.

Após esse período, constatamos que não houve nenhuma alteração. Indicamos aos pais um endocrinologista e, depois de fazer os exames que citamos acima, descobrimos que não havia mais possibilidade de aumento em sua estatura.

Claro que a aluna ficou muito triste, mas apresentamos uma alternativa: por ser muito baixa, ela deveria perder peso, assim poderia aparentar ser mais alta do que realmente era.
A aluna seguiu as nossas orientações, emagreceu, está feliz da vida e continua treinando. Esse caso mostra a importância de se fazer uma avaliação completa para a correta prescrição de um programa de treinamento.

Moral da história: Se ela não tivesse tirado a bunda do sofá e vindo treinar, não estaria magra e com o corpo que queria ter.

Marcos Pudo – Mestre em Fisiologia do Exercício
CREF - 003216-G/SP


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